Pesquisadores da ETH Zurich conectaram dois qubits a mais de 30 metros para criar um fluxo certificado de aleatoriedade, segundo a Nature. O estudo inovador, liderado por Renato Renner, revela implicações práticas para criptografia e sistemas de segurança ao desafiar visões deterministas da realidade.
O que aconteceu
Dentro de um túnel de 30 metros em Zurique, pesquisadores da ETH Zurich empregaram o emaranhamento quântico para gerar um fluxo de aleatoriedade sem precedentes. Este sistema usou dois qubits que se comunicaram por meio de fótons de micro-ondas, produzindo resultados que desafiam a previsão. “A aleatoriedade é certificada pela estrutura do experimento e pela própria teoria quântica”, afirmou Renner.
O estudo, publicado na Nature, afirma que a imprevisibilidade é uma característica fundamental do universo, em vez de uma limitação das ferramentas de medição. “Cientistas há muito se perguntam se esse caos irreduzível pode ser aproveitado para produzir aleatoriedade pura. Nossas evidências mostram que sim”, acrescentou Renner.
Por que é importante
Esta descoberta redefine o conceito de aleatoriedade, que tem implicações diretas para a criptografia. A integridade das transações seguras depende da imprevisibilidade; assim, este método quântico oferece uma nova camada de segurança que os métodos tradicionais não conseguem igualar. Bancos, provedores de nuvem e módulos de segurança poderiam integrar esses bits certificados em várias aplicações.
Contexto
Em ocasiões anteriores, pesquisadores tentaram aproveitar a mecânica quântica para usos práticos, mas esses métodos eram menos confiáveis. Este desenvolvimento se baseia em décadas de pesquisa de testes de Bell, que descartam variáveis clássicas ocultas que poderiam comprometer a aleatoriedade. A equipe da ETH Zurich afirma que suas descobertas estabelecem um “dado perfeito” que gera resultados que ninguém pode prever.
O que vem a seguir
A equipe da ETH Zurich está trabalhando na ampliação de sua tecnologia para aplicações mais amplas, particularmente em criptografia e comunicações seguras. Estudos e desenvolvimentos futuros são esperados antes do final de 2026, à medida que as implicações desta pesquisa continuam a se desenrolar.

